Sapo Cururu: Solução ou Praga

No início do século passado, a industria açucareira da Austrália enfrentava um sério problema. Em toda a região de Queensland, as plantações de cana-de-açúcar estavam enfestadas por duas espécies de besouro parasita (o French”s cane beetle e o Greyback cane beetle); as larvas desse inseto estavam atacando as raízes das canas, matando ou debilitando gravemente planta após planta.                              

Em 1933, alguns plantadores de cana ouviram, numa conferencia ocorrida no Caribe, referências a certa espécia de sapo que tinha sido introduzido no Havaí e outras regiões do Pacífico com o fim específico de combater essas pragas; segundo informações, a experiencia tinha sido bem sucedida.No início de 1935, o governo australiano importou exemplares desse sapo; eles se reproduziram rapidamente e em junho daquele mesmo ano mais de 3000 desses animais foram soltos nas plantações de cana ao norte de Queensland.

E qual é essa espécie de sapo? O conhecidíssimo sapo-cururu ( Bufo marinus ), uma espécie natural do continente americano, que ocorre do sul do Texas ao norte da Argentina.É comum em regiões de ambiente tropical até semiárido, desde o litoral até o interior.É mais ativo à noite; durante o dia, abriga-se em tocas entre raízes de árvores, no solo ( onde cavam buracos com suas patas traseiras ) ou entre pedras. Embora necessitem da água para pôr seus ovos, porem vivem longe dela, procurando-a somente para se reproduzir.

Os cururus são animais grandes para o padrão geral dos anfíbios: chegando a 25 cm de comprimento e podem ter até 2 kg. Vivem de 10 a 15 anos em ambiente natural a até 20 anos em cativeiro. Alimentam-se de muitas espécies de invertebrados ( vermes, moluscos. aranhas, insetos ) e mesmo de pequenos vertebrados ( como ovos e filhotes de pássaros e lagartixas ).
No entanto, o que os plantadores não sabiam é que o cururu não é capaz de pular muito alto ( na verdade só até uns 60 cm ), e assim não conseguem capturar os besouros da cana, pois estes em geral ficam na parte mais alta da planta. E assim o cururu não teve qualquer impacto sobre os besouros da cana, e os fazendeiros viram-se obrigados a voltar ao uso de inseticidas no combate às pragas da cana. Por volta de 1940, um inseticida mais específico e mais eficiente contra besouros foi inventado, e a indústria canavieira australiana perdeu seu interesse nos sapos-cururus.
Livres para andar por onde quisessem, os sapos começaram então a comer tudo que estava à vista e que pudesse ser capturado. Mostraram-se particularmente hábeis na captura  de abelhas, causando logo de inicio um grande prejuízo aos apicultores da região. Mas o pior ainda estava por vir: sem seus predadores naturais ( como peixes, aves aquáticas, jacarés e certas cobras existentes nas Américas ), os cururus estavam livres para se reproduzirem, e fizeram em uma velocidade espantosa, espalhando-se por novas regiões do território australiano.Uma fêmea de cururu, marcada com um emissor de sinais de rádio para ser rastreada por cientistas australiano, deslocou-se 21 quilômetros no intervalo de um mês. Os sapos-cururus transformaram-se assim em uma praga e mostraram ser capazes de sobreviver muito bem em terras australianas.
A introdução impensada dos sapos-cururus na Austrália tornou-se um dos maiores desastres ambientais já ocorrido. Agora, os cientistas australianos procuram maneiras de controlar as crescentes populações dessa praga, até  hoje sem grande sucesso.

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